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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Desabrigados do Bumba vão só aos poucos para casas novas

Pendências como transferência escolar atrasam a mudança de 93 famílias

Depois de receberem do governo estadual 93 apartamentos no condomínio Várzea das Moças, no domingo (25), famílias de desabrigados do deslizamento do morro do Bumba, em Niterói, começaram a fazer por conta própria a mudança nesta terça-feira (27), quando as chaves lhes foram entregues. Ao todo, 46 pessoas morreram quando o morro, localizado sobre um antigo lixão, deslizou no último dia 7. Outras dezenas de famílias desabrigadas ainda não receberam apartamentos.

Até a manhã desta quinta- feira (29), apenas 18 famílias tinham se mudado para o local. Alguns dos novos moradores vão esperar o fim de semana, ou um dia de folga para se mudarem, pois não podem mais faltar ao trabalho.

Outros, como Cristiane de Oliveira, que perdeu 18 familiares na tragédia e ainda espera notícias sobre o corpo de uma tia, precisam resolver pendências. Ela disse que não vai se mudar agora porque precisa antes transferir a filha para uma escola mais próxima do novo endereço. A menina estudava bem perto do morro do Bumba.

Diferentemente do que aconteceu com os desabrigados do morro do Urubu, em Pilares, na capital, a secretaria de Assistência Social não entrou em contato com os moradores para auxiliá-los na mudança, inclusive em relação à transferência de colégio.

Procurada nesta quinta-feira pela reportagem, a secretaria não deu uma resposta sobre a falta de ajuda para as mudanças.

Luciane França, de 16 anos, que já foi morar no novo apartamento com o marido, Herberton Sejanoque, 19, e o filho Lucas, de dois, disse que ela e o marido vão ter de pegar dois ônibus e viajar cerca de uma hora até o colégio onde estudavam no Caramujo. Antes, eles iam a pé para a escola.

- Ninguém veio falar nada com a gente ainda, se ficar muito pesado para ir estudar, eu vou parar esse ano e depois, quem sabe, eu volto.
Ela estuda na oitava série, e ele está no primeiro ano do ensino médio. O casal morava na casa dos pais de Herberton, que morreram no deslizamento. Um irmão dele também morreu.

A mudança para os apartamentos não atrapalhou o deslocamento de todos. Quando morava no Bumba, o técnico de informática Ezequiel Barbosa gastava cerca de 40 minutos para chegar ao trabalho, pegando dois ônibus para ir e dois para voltar, ao custo total de R$ 9,60 por dia. Agora, ele precisa pegar apenas um ônibus em cada trajeto, gastando 4,80 diariamente e até já pensa em comprar uma bicicleta para ir trabalhar.

A mulher de Ezequiel, Gisele, está encantada com a nova casa, que tem dois quartos, cozinha, sala e banheiro e veio mobiliada graças a doações de uma loja de eletrodomésticos. Gisele ficou 20 dias na Igreja Batista do bairro Viçoso Jardim, perto do morro do Bumba, e se mudou logo na terça-feira à noite.

- Aqui é muito bonito , muito tranquilo melhor para criar o Miguel [seu filho] sem violência, sem tiro. Eu ainda preferia a minha casa, porque foi a gente que construiu, mas só se não fosse no morro. Aqui também vai ter uma organização melhor.

O condomínio Várzea das Moças fica no número 9.780 da Estrada Velha de Maricá e será todo ocupado pelos desabrigados do morro do Bumba. Os apartamentos faziam parte do Programa de Arrendamento Familiar, do governo federal, e foram transferidos para o Programa Minha Casa, Minha Vida. O valor dos apartamentos será subsidiado pelo governo do Estado, assim como um ano de condomínio e taxas de luz.

Os imóveis, avaliados em R$ 50 mil cada, são distribuídos em três blocos, com quatro pavimentos cada. Os moradores contarão ainda com guarita de segurança, centro de convivência e playground.

O temporal que castigou principalmente a região metropolitana no início do mês fez 168 vítimas em Niterói. O total de mortos no Estado chegou a 256.


Fonte: r7.com

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